
Manoel dos Santos, que virou Mané, que virou Mané Garrincha.
O maior exemplo do que chamamos de 'futebol moleque'.
Não poderia existir definição mais adequada a Garrincha do que 'Alegria do Povo', aquele em que o sofrido torcedor derramava suas angústias cotidianas, suas dores, suas derrotas e podia voltar aliviado pra casa, pronto pra mais uma semana difícil a encarar, mas com a alma alegre, radiante e pura, ao ver o menino-homem brincar dentro do gramado.
O futebol de Garrincha era irreverente, despojado, divertido, principalmente pra ele. Vendo suas jogadas, dá a impressão de que o ponta direita não tinha nenhuma responsabilidade, que apenas a diversão é que lhe importava dentro de campo.
Mas ao contrário de muitos exemplos que tivemos de jogadores dribladores, Garrincha tinha sim um senso de responsabilidade tremendo, e mesmo não sendo um grande líder, comandou o Brasil na conquista do bicampeonato mundial, no Chile em 62, quando Pelé se contundiu e restou ao 'Mané' se vestir da áurea dos campeões, aquela que só vemos nos vitoriosos, naqueles que entram pra história.
Como dizia Carlos Drummond de Andrade:
Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.
Bem disse Drummond, o pior de tudo é que não há outro Garrincha, pra suprimir as tristezas que nos rodeiam.
Mas se não podemos ter um 'imortal' Garrincha, podemos recordar e devemos por obrigação moral com a alegria, expandir suas história, para que novas gerações, durante anos e anos, possam saber que um dia existiu alguém, que brincou com a responsabilidade, que teve como único objetivo em sua vida, a diversão.
Para se ter uma idéia da importância de Garrincha na história do futebol brasileiro, basta se lembrar que a Seleção NUNCA perdeu quando estiveram juntos em campo Pelé e Garrincha, que curiosamente, estrearam em Copas do Mundo no mesmo dia, na histórica partida contra a União Soviética em 1958. Quando uma reunião dos jogadores com o técnico Vicente Feola, decidiu pela entrada dos dois talentos, que até então amargavam o banco de reservas, não imaginavam que estariam mudando a história do futebol arte. Em poucos minutos, os soviéticos estavam atordoados com o talento do pequeno rei de 17 anos e de um ponta maluco que ninguém conseguia parar.A repercussão do estrago que Garrincha causou naquela partida foi tão grande que na noite seguinte, um jantar foi oferecido para as duas delegações e o lateral esquerdo soviético, em tom de brincadeira, agarrou Garrincha e fez todos caírem na gargalhada, como quem dizia, até que enfim o peguei!
O grande auge da carreira de Garrincha aconteceu no Botafogo, quando fez parte de um elenco de estrelas criadas em General Severiano, encantando o Rio de Janeiro com jogadas maravilhosas.Dono de um simplicidade inimaginável nos dias de hoje, o craque não teve a assesoria necessária para dirigir seus investimentos e pouco aproveitou financeiramente de sua arte.
Mesmo assim, a lição que Garrincha passou não pode jamais ser esquecida. De alegria acima de tudo, de humildade em se portar da mesma maneira no trato as pessoas, tanto na época quando era um desconhecido, ou vestindo a faixa de bicampeão do mundo.
E por ser um digno representante do Futebol de Raiz, Garrincha é homenageado nas camisetas Futebólatras.
http://www.futebolatras.com.br/index.php/fr/garrincha.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário