quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

OPINIÃO - A IMPRENSA DA IMPRENSA

Amigos,

Acompanho futebol (diariamente) desde os meus 8 anos de idade, e isso se dá no longínquo ano de 1982.
Durante todos esses anos, vi mitos subirem e caírem, times viverem grandes fase e desmoronarem posteriormente. Para praticamente tudo que envolve o futebol, há o ápice e o limbo, incluindo dirigentes, torcidas organizadas, técnicos, etc.
Entretanto, há um membro desse 'Planeta Futebol' que é de suma importância mas que nunca foi atingido por esses altos e baixos, a imprensa.
Não é difícil imaginar porque esse órgão não sofre as consequências que os demais envolvidos, pois eles detém o mais importante papel de todo o processo, a formação de opinião.
Sendo a posição de 'pedra' e nunca a de 'vidraça', a imprensa esportiva elege e exonera quem ela bem entender.
Pra piorar a situação, dentre todas as categorias envolvidas em futebol, nenhuma é tão corporativista quanto a imprensa. Se vê com frequência jogadores discutindo entre si, o mesmo acontece com torcidas organizadas, dirigentes de clubes, profissionais em geral, mas raramente há um entrevero entre membros da imprensa.
Talvez o que falta é uma 'imprensa' que analise a 'imprensa', tal qual uma corregedoria da informação.
Vou dar um exemplo clássico na maioria das transmissões de futebol pela TV e rádio. Com frequência vemos e ouvimos comentaristas dizerem que: "Um jogador profissional não pode perder um gol desses." ou então alguns mais radicais: "O cara treina a semana inteira pra fazer isso!", ou até os nossos queridos comentaristas de arbitragem dizerem que: "O único papel do bandeirinha é marcar impedimento, não é possível errar assim, ele está ali só pra isso". Um pensamento justo, mas em se tratando de torcedor, não de profissional da informação.
Será que um dia veremos alguém dizer na imprensa algo do tipo: "Como pode um narrador errar o nome dos jogadores mais de uma vez, ele está aí só pra isso". ou então: "Como que você não sabe nada sobre o Fulano Futebol Clube, você é comentarista esportivo, é sua obrigação saber."
Mas isso é a menor parte dessa liberdade desenfreada que a imprensa esportiva goza.
A criação dos ditos 'comentaristas de arbitragem', que também cansaram de errar em suas épocas, mas tiveram a grande sorte de não terem 8 câmeras a lhe vigiarem, mudou a maneira de se enxergar futebol na TV.
Enquanto um chapéu, ou uma caneta são mostrados no máximo 01 vez no replay (quando mostrado), um lance duvidoso é repetido diversas vezes, forçando o torcedor a fomentar discussões que nada tem a ver com a paixão pelo futebol.
Não sou contra os profissionais de arbitragem, mas todos ou a grande maioria dos torcedores que assistem partidas naTV, sabem que a 'regra é clara' e tem a imagem a sua disposição, não precisam de comentários de 'especialistas' sobre quem foi ou não 'tocado', até porque futebol é um esporte de contato.
Entretanto, também esse fator é algo que aprenderemos a conviver.
Diferentemente da absurda corrida desenfreada pelo 'ouro' do furo de reportagem.
A boataria que ronda o futebol vinda dos veículos de informação é além de irritante, irresponsável.
Criam-se lendas, vendem-se jogadores, manipulam-se opiniões e tudo continua como se nada tivesse acontecido.
Todo o órgão no futebol tem uma responsabilidade sobre o que faz: os clubes, os jogadores, os torcedores, os dirigentes, menos os membros da imprensa, que podem fazer de tudo, até vender o Vágner Love para o Corinthians, como em 2005. Uma pequena amostra da irresponsabilidade de informação na busca obsessiva por ser o pioneiro, que causa estragos no cotidiano do torcedor, pois como deve ter ficado aquele torcedor que comprou a camisa do Corinthians com o nome do jogador, o 'visionário' que deu a notícia lhe ressarciu o dinheiro, acredito que não.

Ah, a liberdade de expressão, como é importante numa República Democrática, é a base da democracia, ainda mais num país como o Brasil, que viveu dias terríveis de repressão. Mas a liberdade só é benvinda com a responsabilidade. Liberdade irresponsável só é bonito na adolescência, quando a idade justifica os sonhos.
No cotidiano, essa irresponsabilidade custa caro, reflete no dia a dia do torcedor e na maioria das vezes não tem muita graça.
Com isso, nada incoerente seria a criação de uma Lei de Responsabilidade de Informação, que permitiria qualquer tipo de assunto e informação a ser divulgada, desde que o locutor da mesma garanta a veracidade do divulgado, e não aqueles direitos de retratação que vem muito tempo depois e não tem o mesmo efeito de água para o que já foi fogo.
Com certeza, nesse momento, alguns bradam 'Liberdade de imprensa', fora com a 'Lei da Mordaça'.
Também sou um deles, mas o próprio consumidor de informações está percebendo que o artifício que alguns usam se ancorando na liberdade de expressão para fazer jornalismo irresponsável, está saturando nossa paciência.

Quanto a Corregedoria de Imprensa, seria algo bem aceitável, suspendendo os maus profissionais, como é feito em qualquer órgão vital de nossa sociedade.
Talvez assim, acabariam as hipocrisias de se elogiar apenas o que lhe convém, como a organização do futebol europeu, tanto aclamada aqui no Brasil, mas que por vezes é esquecido o fato de que nenhum repórter na Europa entra dentro de campo, fazendo aquele 'fuzuê' que se vê em alguns estádios brasileiros.

Enfim, não sou contra a imprensa, aliás sou bem a favor, já que sem ela o 'País do Futebol' não seria o mesmo, mas são apenas algumas questões que tenho comigo.

um abraço a todos


André JR



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